Aprender a cuidar da saúde mental passa, quase sempre, por uma habilidade que muita gente demora a desenvolver: estabelecer limites claros. Em um cotidiano marcado por cobranças internas, excesso de disponibilidade e pela sensação constante de que é preciso agradar, o respeito (próprio e do outro) começa a se firmar como um pilar essencial do equilíbrio emocional.
Essa é a reflexão defendida por Daniel Amen, médico e psiquiatra que atua com adultos e crianças, além de pesquisador e autor de best-sellers sobre funcionamento do cérebro e comportamento humano. Em falas recentes, ele destacou como a autodisciplina emocional e o autocuidado influenciam diretamente a qualidade das relações pessoais e profissionais.
Para Amen, uma das marcas mais evidentes das pessoas mentalmente fortes é a capacidade de agir com coerência, sem abrir mão de seus próprios valores para manter vínculos que não oferecem reciprocidade. “Pessoas mentalmente fortes têm autodisciplina. E o que quero dizer com isso é que elas só fazem coisas boas para pessoas que as tratam com respeito. Preste atenção”, afirma o especialista.
Segundo ele, esse princípio está longe de ser egoísmo. Trata-se, na verdade, de um recurso educativo e emocional que pode transformar relações, inclusive dentro da família. "Se você conseguir reforçar isso, é uma afirmação que uso com meus filhos para criá-los com força mental. Só faço coisas boas para pessoas que me tratam com respeito. Seu mundo inteiro será diferente", explica Amen.
Essa visão dialoga com um dos maiores desafios emocionais da vida adulta: aprender a colocar limites sem culpa. Pessoas empáticas, cuidadoras ou que cresceram tentando agradar tendem a associar limites a conflito, frieza ou rejeição. Dizer "não", pedir espaço ou reduzir o envolvimento com alguém costuma gerar ansiedade, mesmo quando é necessário.
Especialistas em saúde mental alertam, porém, que a ausência de limites quase sempre cobra um preço alto. Ela pode levar à exaustão emocional, à sensação de estar sempre sobrecarregado e até à perda da própria identidade dentro das relações. Quando toda a energia é direcionada a atender expectativas alheias, o autocuidado e o autorrespeito acabam ficando em segundo plano. E isso, cedo ou tarde, se reflete no bem-estar psicológico.